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1 de outubro de 2015

Agradecimento: Sr° José Adair Farret



O Grupo Santo Expedito através de seu presidente Aldo de Ogum, sua equipe de diretores e membros. Tem a honrra de agradecer a presença ilustre de nosso vice prefeito José Adair Farret, que na noite do dia 29 de agosto se fez presente em nossa linda homenagem aos 21 anos luz de Cigano Wladimir de Pai Fabiãn de Xapanã.

Deixamos aqui registrado nossa estima e reconhecimento pelo seu trabalho na nossa cidade de Santa Maria, nosso carinho, amizade e adimiração pelo senhor que sempre quando pode se faz presente em nossas homenagens e festividades.

                                                                           Att. Diretoria Grupo Santo Expedito






José Adair Farret e Pai Aldo de Ogum

José Adair Farret e Pai Aldo de Ogum


Pai Fabiãn de Xapanã, José Adair Farret e Pai Aldo de Ogum


Pai Fabiãn de Xapanã, Vice prefeito e seu acessor e Pai Aldo de Ogum


14 de abril de 2015

Sobre a tal PL 21/2015



O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NAS RELIGIÕES AFRO-GAÚCHAS

Norton F. Corrêa *

O projeto de lei da deputada estadual Regina Becker Fortunatti, do PDT, visando proibir o sacrifício de animais, no batuque, supostas vítimas de maus tratos, reedita o de um deputado evangélico, em 2005, reprovado por 32 contra 2 votos. Mas esta gente é teimosa. A atual proposta, além de tendenciosa e discriminatória, por ignorar ou escamotear certos fatos, revela uma incompreensível incongruência ideológica da autora.

No chamado totemismo, certos animais, os totens, representavam o ancestral da tribo, que com o tempo foi divinizado. Simbolizando como que uma fusão entre o humano e o divino, o animal-deus era ritualmente sacrificado, preparado e ingerido pelo grupo, características presentes em religiões como o catolicismo, o batuque e o judaísmo. 
No catolicismo, Cristo, também figurado como um cordeiro, é oferecido a deus-pai, a carne e o sangue (pão e vinho) sendo consumidos pelo padre e/ou fieis. 
No batuque, o processo é similar. Cada animal “pertence” a certa divindade e é imolado para ela, sendo a carne preparada e ingerida pelos participantes do ritual. O sangue, símbolo maior da vida, é oferecido ao orixá, representado por objetos rituais. Alimentado, ele tem força para proteger os humanos. Na noite seguinte, na festa pública, “baixa” em seus iniciados, vem ao “mundo”, a possessão sendo a garantia de sua existência e poder, na visão do batuque, e consequentemente, de proteção. Ou seja, aí temos o objetivo maior do batuque, sua própria razão de existência, como religião. Observe-se, diferentemente do distante deus cristão, a divindade, através da possessão, está ali, presente, podendo ser consultada, ouvir súplicas, advertências, o que é fundamental, psicologicamente, para quem é pobre e negro, pois oprimido pela discriminação e o racismo. Por isto, o sacrifício de animais é o eixo em torno do qual a religião se estrutura. Face a estas questões, só um louco desvairado iria fazer um animal sofrer, pois cometeria sacrilégio gravíssimo justamente contra o deus a quem este é dedicado. E o autor do ato seria terrivelmente castigado pelo orixá, também na ótica batuqueira. 
Como antropólogo, realizei pesquisas intensivas sobre o batuque, de 1969 a 1989. Em muitas ocasiões e vários templos, pude observar e fotografar cenas de sacrifício muito de perto. É sob o peso do argumento acima e desta longa vivência, que posso afirmar que ninguém maltrata animais, nos templos. Ou seja, a deputada, na melhor das hipóteses, ignora o que se passa por lá. 
Nas sinagogas há também sacrifícios de animais e a técnica é idêntica à do batuque: o animal é suspenso pelas patas traseiras e tem a carótida cortada, morrendo em poucos segundos. 
Mas nos matadouros, a questão é outra e bastante conhecida. São milhares de animais e de estabelecimentos produtores de carne, entre legalizados e clandestinos, e o processo de abate é diário e semelhante: os bois entram no brete à força de bastões elétricos e/ou aguilhadas. A morte, muito comumente, é com marreta, o animal, às vezes, apenas desmaia e, ao acordar, está sendo esfolado vivo. .

RACISMO À GAÚCHA
O Rio Grande do Sul é tido, com razão, como o estado mais racista do País. Exemplo concreto, expressões racistas são abundantes na literatura regional gaúcha, de João Simões Lopes Neto a autores mais recentes, inclusive do tradicionalismo. Em um caso significativo, o fenômeno é simplesmente escamoteado: historiador de certa fama, Walter Spalding afirma que não havia racismo, no antigo Rio Grande, pela pouca presença de negros: “apenas” 26.600, no século XVIII, mas não diz que era cerca de 30% da população da Província... E há os onipresentes “clubes de morenos”, dos rincões mais distantes à Capital, os livros didáticos. Menos palpáveis, mas efetivas, são perseguições e repressão (muitas das quais testemunhei ou soube pela imprensa), da igreja católica (e agora das evangélicas, com destaque para a IURD, significativamente muito toleradas, aliás) sobre manifestações culturais negras. Sobre a primeira, sua cúpula, historicamente, e a maior parte de seus ministros, é composta por descendentes de alemães, tidos, em geral, como muito racistas. As ordens italianas, mas em menor escala, também agem neste sentido. 
Embora o IBGE informe que os afrodescendentes sejam 12% da população gaúcha, o número de templos afro-brasileiros, 30 mil ou mais, é muito superior aos do Rio, São Paulo ou Bahia. Quando me perguntam por esta aparente discrepância, a hipótese que levanto é que a força do racismo local foi o principal motivo que obrigou os escravizados e seus descendentes a criar formas de organização estruturadas em torno à cultura ancestral. Com efeito, os templos são espaços de sociabilidade, forjamento de identidades e de proteção física e espiritual contra um ambiente sócio-cultural extremamente hostil. Proibir o sacrifício de animais, no batuque, no korban judaico ou o simbólico, na missa, eixos dos respectivos sistema religiosos, é simplesmente acabar com tais religiões e, consequentemente, puxar o tapete existencial de seus integrantes. Sobre as religiões afro-brasileiras, particularmente, tais questões me levaram a concluir que é impossível aprofundar estudos sobre as religiões afro-brasileiras sem considerar o contexto das relações raciais que envolvem.

LÓGICA ILÓGICA
A proposta apresentada pela nobre deputada é inconstitucional por construção, pois desconsidera que “todos são iguais perante a lei”, já que visa uma só categoria, os batuqueiros. Se ignora o que ocorre nas sinagogas e nos matadouros (e nestes são sacrificados milhares de animais, por dia, que sofrem muito, sim), deveria ter se munido de mais dados, para propor a lei. Porém, se não ignora tudo isto, mas exclui sinagogas e matadouros, cabe supor que: ou lhe falta coragem para enfrentar a poderosa comunidade judaica e, idem, o Sindicato das Indústrias de Carne do RS (e perder votos para a reeleição), ou optou por ganhar ibope, posar de ecologista (para garantir votos) pelo modo mais fácil: atacar o segmento mais oprimido, pobre, frágil e estigmatizado da racista sociedade gaúcha, os batuqueiros, negros, em sua maioria. Mas tem mais: pergunto qual a lógica que moveu uma deputada do Partido Democrático Trabalhista, em nome do amor pelos animais, a propor uma lei altamente prejudicial justamente à classe que, por coerência política, deveria defender, os trabalhadores. A não ser que os animais supostamente maltratados pelos filiados à comunidade batuqueira sejam mais importantes, para ela, do que estes.

* Doutor em Antropologia, autor do livro O Batuque do Rio Grande Sul.

12 de abril de 2015

Qual será o verdadeiro erro o julgamento,ou o culto realizado em prol do povo com o uso da solidariedade...

Nesses dias temos visto ataques diretos a nossa religião mascarado de ''proteção aos animais''. Mas em meio a tantas perguntas, indagações que podemos direcionar as pessoas apoiadoras a causa deixo no ar algumas....

- Quanto vale uma vida? Vemos todos os dias senhores, senhoras, crianças que não tem a mesma oportunidade de conforto que muitos de nós que podemos nos dar o luxo de estar na internet, ou até mesmo da deputada em questão que no conforto do seu lar, lança projetos incabíveis como esse.

- E os animais soltos nas ruas? Será que apenas os usados na sacralização é que tem que ser ''defendidos'' ai vemos o ataque direto a nossa religião.

- E os valores pessoais, solidariedade? Quantas e quantas pessoas são alimentadas por essas carnes abatidas para obrigações, muito pouco é usado no ritual o restante distribuímos ao povo, não apenas frequentadores assíduos mas muitos, realmente contam com essa hora para colocar um alimento digno na sua boca e na boca de seus filhos. Será que o pecado maior não seria deixar a boca do irmão vazia? quando se pode ajudar?.

- E quanto a todo resto? E todos os Frigoríficos irão parar pelo simples capricho de alguém que pensa que pode mudar a constituição brasileira por leviano interesse politico?

Deixo junto a um vídeo antigo que junto a diretoria concluímos ser condicente a causa atual algumas outras perguntas....

O verdadeiro erro está em nossa Religião? 

O sofrimento de nossos antepassados para realizar seus cultos foram em vão?

É certo o preconceito direto e declarado a nossa religião ser mantido como um simples projeto?

Qual será o próximo passo? VOLTAR A PERSEGUIR os sacerdotes e praticantes das religiões?





O Batuque é uma religião que fala aos pobres, está nas margens das cidades do Rio Grandes do Sul. A carne dos animais imolados em rituais em 99% dos casos é unica e exclusivamente para liturgia e será consumida durante as festas que se realizam após as obrigações. Estes defensores dos animais no fundo nem fazem ideia da apologia que esta senhora está indiretamente tentando incutir na Assembléia. Hoje querem tocar e proibir em nossos rituais mais sagrados. Amanhã irão invadir nossos terreiros e parar nossas obrigações com o direito que uma pessoa intolerante resolveu criar esse projeto. Daqui alguns anos será o que? Vão por grilhões nos pés dos batuqueiros? A chibata e o pau de arara vão ser colocados nas praças e os religiosos brancos, negros ou não iremos ser açoitados? INTOLERÂNCIA!







27 de março de 2015

21 de Janeiro

DIA NACIONAL DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. Mas você sabe porquê essa data foi escolhida?

A data presta homenagem à Iyalorixá baiana Gildásia dos Santos (Mãe Gilda de Ogum), que faleceu na mesma data, em 2000, vítima de enfarto. 



Ela era hipertensa e teve um ataque cardíaco após ver sua imagem utilizada sem autorização, em uma matéria do jornal evangélico Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, edição 39, sob o título “Macumbeiros Charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”. O texto não era menos ofensivo e agredia as tradições de matriz africana, das quais Gildásia era representante.
Sua filha Jaciara Ribeiro, que deu prosseguimento ao seu legado religioso, moveu uma ação contra a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), por danos morais e uso indevido da imagem.
Como forma de reconhecimento, o Governo Federal, instituiu, no ano de 2007, o 21 de janeiro como o Dia de luta contra a intolerância religiosa. Data em que pessoas de diferentes credos, raças, etnias, sexo celebram mais um passo a favor da dignidade humana para compartilhar caminhos que possibilitem o enfrentamento à intolerância religiosa. 




Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pelos 58 estados membros conjunto das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.



'' Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. ''


Grupo Santo Expedito














Pai Aldo de Ogum e Pai Fabiãn de Xapanã

Sessão de Pretos Velhos no Grupo Santo Expedito - No dia 25/03/2015



'' PRETO VELHO, ELE VEM DE ARUANDA
ELE TRÁS FIGA DE GUINÉ 

SETE VELAS , TOALHA ENCARNADA
PRA LOUVAR A JESUS NAZARÉ ''


















26 de março de 2015

O poder do Silêncio

O Poder do Silêncio que pertence ao Pai Oxalá cura todos os males na vida de um sacerdote e de sua comunidade.
Muitos de nós já ouviu aquela frase: “O silêncio diz mais que mil palavras”. Essa é a mais pura verdade. Geralmente aqueles que querem vencer pelo grito, demonstram desequilíbrio e insensatez. Os sábios procuram mais pensar do que falar, pois sabem que as palavras ditas a esmo podem causar grandes problemas e às vezes de difícil solução. Diante dos grandes problemas devemos procurar manter a calma e o silêncio, pois assim estaremos nos ligando às forças do Universo e de todos os Orixás para que possamos ver tudo com maior clareza e encontrarmos a solução, nunca esqueça que o silêncio é um dos mais poderosos Orikis. Deste modo, diante das ofensas, agressões verbais ou lamúrias a nós dirigidas, procuremos manter-nos em silêncio e em Oriki, pois assim, desarmaremos aquela nosso irmão em desequilíbrio e teremos condições de ajudá-lo a reencontrar o equilíbrio que lhe falta naquele momento. Jamais usemos a palavra sem a plena certeza do que estamos dizendo, para que não nos arrependamos mais tarde. A palavra tem muita força, tanto para o bem quanto para o mal.
Quando usamos mal a palavra, ofendendo e magoando os outros, os primeiros atingidos somos nós mesmos, pois somos os primeiros a ouvir. Lembremo-nos de que o silêncio é paz, equilíbrio em nossas mentes, pois é através dele que conseguimos perceber o nosso mundo interior, nos entendendo, nos conhecendo, e assim, compreendendo melhor o nosso próximo. Usemos esse dom tão precioso, o silêncio, naqueles momentos em que a palavra não teria utilidade. Aprendamos, enfim, a discernir as ocasiões em que deva prevalecer a palavra ou o silêncio!











25 de março de 2015

A Liberdade Religiosa, O mundo é Plural









A suposta ideia de proibir o sacrifício supondo alguma política de proteção aos animais demonstra claramente como em uma sociedade desigual, preconceituosa e punitiva o uso das leis é predominantemente feito com o intuito de reforçar essas desigualdades.



A primeira coisa que precisamos entender é a seguinte: em uma sociedade laica ninguém é obrigado a ter a mesma visão espiritual sobre os animais “irracionais”. Ser vegetariano é uma opção individual. Então, vamos partir do princípio básico de que TODAS as pessoas têm direito a se alimentar de carne. Visto isso vamos lembrar o que na nossa realidade significa se alimentar de carne.


Alimentar-se de carne significa comer um animal. E para comer esse animal é preciso que ele esteja morto. Até os animais irracionais carnívoros matam suas presas para comê-las. Parece óbvio, mas para as pessoas que julgam o sacrifício animal nos ritos religiosos não é. A dificuldade de entender essa simples questão de matar para comer vem da intolerância religiosa, da discriminação e do preconceito que pressupõe quais crenças devem ser consideradas corretas e aceitas ou não.



Traduzindo: as leis para brancos e para a cultura dominante são de uma forma e para negros e culturas não brancas são de outra.








Além de desrespeitar os valores e crenças de uma cultura religiosa essa tentativa é um esforço claro de moralizar um processo de consumo que é comum a toda sociedade, pois de uma forma geral toda a sociedade se alimenta de carne animal e mata animais para isso. O que os indivíduos que propõe a proibição do culto religioso tentam nos dizer é: você pode comer carne animal, mas não pode rezar, cantar ou matar esse animal com suas próprias mãos, ou seja, não pode expressar sua fé e principalmente, não pode baratear o custo desse consumo ou deixar de pagar por ele aos grandes produtores


Se a preocupação fosse realmente com códigos de proteção ao animal seriam aprovadas leis para regulamentar a forma absurda como animais são criados nas grandes propriedades rurais. Nesses locais animais são criados totalmente presos, sem nenhum contato com o ambiente natural, forçados a reprodução e têm sua estrutura totalmente alterada por “anabolizantes” e medicamentos. O intuito dessa manipulação toda é baratear o custo de criação desses animais e aumentar ao máximo seu rendimento para se ter o maior lucro possível com sua comercialização. Os processos que envolvem a criação de animais nas indústrias de alimentação já foram apontados por organizações de proteção aos animais como absurdos e cruéis e inclusive prejudiciais a saúde humana em alguns casos. Mas a crença envolvida nesse caso é a do lucro e essa nunca é questionada.